Tráfico de Drogas

Tráfico de Drogas

Dependência Econômica


Na Bolívia, a dependência em relação ao narcotráfico chega ao extremo. Os traficantes detêm o controle das principais empresas, a corrupção atinge níveis inacreditáveis e, de acordo com a CEPAL, a população desempregada passou de 19% da população ativa em 1985 para 35% no ano seguinte. De cada três bolivianos, um lucra com os derivados do narcotráfico. Há estimativas, que coincidem com os dados da CEPAL, segundo as quais 65% da economia do país pertencem ao setor informal.

A Colômbia especializou-se em transformar a pasta base produzida por Peru e Bolívia em cocaína e exportá-la para o resto do mundo. Dois grandes cartéis (Cali e Medellin) controlam a maior parte do narcotráfico no país. Entretanto, existem centenas de pequenos traficantes, muitos dos quais roubam a droga dos grandes cartéis. O país está, por completo, nas mãos dos narcotraficantes. O Congresso e a polícia nacionais disputam o primeiro lugar em grau de corrupção, a até mesmo as campanhas presidenciais são patrocinadas com dinheiro da droga. Cada novo governo colombiano se esforça para repatriar os lucros obtidos com o tráfico internacional de cocaína. Dos cerca de US$ 16 bilhões anuais obtidos pelos narcotraficantes, apenas entre US$ 2 e 4 bilhões voltam ao país.

A expansão desta atividade na América Latina significou a degradação de países inteiros ao simples papel de apêndice do narcotráfico. A coca já representa 75% do PIB boliviano, 23% de outras nações. Semelhantes porcentagens tornam ridícula a denominação "economia informal". Os grupos principais das burguesias nacionais realizaram sua reconversão pela "economia do crime", dominando os recursos dos Estados e monopolizando um acúmulo de riquezas que permitiu aos mafiosos colombianos situarem-se no ranking dos multimilionários do mundo. A transformação do mineiro boliviano em cultivador de coca e a substituição das melhores áreas agrícolas por cultivos do insumo básico da droga são determinantes do pavoroso estancamento da economia deste país, que alguns "experts" de Harvard elogiam cinicamente por sua "estabilidade monetária". Que a coca represente a única saída de sobrevivência para os peruanos desempregados das cidades ou migrantes da desertificação rural é outra evidência do mesmo processo de regressão econômica. Em meio aos assassinatos cotidianos, a Colômbia é uma vitrina por onde se vê o esbanjamento de um grupo de cartéis que, seguindo a tradição das oligarquias latino-americanas, gastam em importações suntuosas um volume de dinheiro que permitiria saldar a dívida externa deste país. Como ocorreu no passado com a borracha, o guano e o açúcar, a monoexportação de coca é mais um episódio da devastação agrária, do empobrecimento campesino e do desperdício da região.

A "narcoeconomia" não é um âmbito delituoso socialmente homogêneo como apresenta a destorcida propaganda da "polícia imperialista". O grosso dos camponeses e operários "pisadores" que se vêem forçados a cultivar e processar a coca não só mantêm sua condição de superexplorados, como sofrem a renovada pressão do aparato do Estado e dos cartéis, associados em "esquadrões da morte" e em bandos de pistoleiros do latifúndio. Os mesmos beneficiários do tráfico criaram o fantasma do "narcoterrorismo" e da narcoguerrilha" para encobrir sua ação criminal.


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